Especial OVNI 15 anos – BioShock (2007)

A Ovni completa 15 anos na venda de jogos e consoles, muitos deles marcantes. E nós continuamos essa série de artigos com BioShock, lançado em 2007.

Em nosso quinto artigo da série publicada em parceria com a Ovni Game Shop, que completa 15 anos no mercado de games e produtos geeks, chegamos no ano de 2007. Entre os momentos marcantes do ano na indústria dos joguinhos tivemos o primeiro jogo da história a contar com a participação de Mario e Sonic: Mario & Sonic at the Olympic Games, lançado para Nintendo DS e Wii. Halo 3 fatura 170 milhões de dólares nas primeiras 24 horas de lançamento, tornando-se o jogo mais bem sucedido em seu lançamento na história. Hoje, este recorde pertence a GTA V, que faturou 815 milhões de dólares no lançamento.

2007 também foi o ano de lançamento de títulos como Super Mario Galaxy, Call of Duty 4: Modern Warfare, God of War 2, Portal, Mass Effect, Uncharted, Rock Band e de BioShock, um game de tiro em primeira pessoa com elementos de stealth e RPG, desenvolvido pela 2K Games e com roteiro escrito por Ken Levine.

BioShock se passa no ano de 1960. Durante o título, nós controlamos Jack momentos após em que seu avião cai no oceano perto de um terminal de transporte que leva até a cidade subaquática de Rapture. Construído pelo empresário Andrew Ryan, a cidade pretendia ser uma utopia isolada, mas a descoberta do ADAM, um material genético que pode ser usado para conceder poderes sobre-humanos, iniciou um declínio turbulento da cidade. No game, Jack procura por uma maneira de escapar, lutando em meio a hordas de inimigos obcecados pelo ADAM e enfrentando os icônicos e mortíferos “Bid Daddies”, enquanto se envolve com os poucos humanos saudáveis que permaneceram na cidade. Ao longo da trilha, eventualmente aprendemos mais sobre o passado da cidade submarina ao passo que nos tornamos capazes de derrotar os inimigos de várias maneiras usando armas, poderes especiais e até mesmo usando as próprias defesas de Rapture contra os “monstros”. BioShock incluiu elementos de jogos de RPG em seu sistema, dando ao jogador diferentes abordagens para enfrentar inimigos, principalmente através de stealth, assim como escolhas morais para salvar ou matar personagens; Além disso, o jogo toma emprestado conceitos do tema biopunk e os une com o então popular survival horror.

BioShock (2007)
Ao final de cada etapa éramos confrontados por Big Daddies, inimigos extremamente poderosos.

Apesar da categoria em que ele se enquadra, limitar este jogo a “título de tiro em primeira pessoa” é um desserviço. BioShock é um jogo que funde com sucesso a jogabilidade e a narrativa, tendo sido considerado um modelo a ser seguido nos anos seguintes. Não foi apenas uma evolução do System Shock 2, mas sim considerado um despertador para a indústria em geral. Ao jogar BioShock, pudemos entender em 2007 porque nós poderíamos exigir mais dos desenvolvedores. BioShock jogou na cara do mercado que nós poderíamos ter mais do que jogos que são levemente atualizados e lançados ano após ano com um número novo ou um subtítulo chamativo.

BioShock (2007)
A cidade submersa de Rapture, criada pelo antagonista do jogo, Andrew Ryan.

O objetivo em BioShock é encontrar o Andrew Ryan, que pode ser considerado qualquer coisa, menos um vilão estereotipado. Ele é um homem com uma ambição sem limites que construiu uma cidade debaixo do mar e obcecado com a ideia do que “faz um homem” e o que diferencia um homem de um escravo. Ele é um homem que detém sua própria visão criativa acima de tudo e que acredita nas visões de que os “fins justificam os meios” e que o “mais apto deve sobreviver”. Para Ryan, alguém que pode ser desculpado por cometer crimes para alcançar um objetivo. No entanto, Rapture, é claramente uma falha colossal. E a força motriz por trás do jogo é sua busca para descobrir por que a sedutora visão de uma utopia artística do homem falhou tão completamente e qual a razão de você ter se deparado com isso. Embora Ryan soe como um propagandista totalitarista, é impossível deixar de simpatizar com ele. São ideias sedutoras, faladas com convicção por quem parecer ser um visionário simpático apesar das suas excentricidades.

O visual também foi surpreendente durante toda a jornada na época, desde estruturas industriais ricamente detalhadas até os modelos de armas, passando pelo trabalho de iluminação (que fazia diferença caso você desejasse passar desapercebido pelos inimigos). Obviamente, um jogo que se passa numa cidade submersa não deve esquecer de dar efeitos à água (e ela é belíssima). São muitos detalhes para apreciar, como os remédios em sua mão quando você arranca um plasmídeo de um enxame de insetos, os jatos de vapor que explodem dos Big Daddies depois que eles sofrem danos, os peixe nos tanques oceânicos que fogem assustados à medida que você se aproxima, painéis de propaganda cintilantes e até os cartazes semi-destruídos que permanecem desde os dias de glória de Rapture.

BioShock (2007)
Atenção aos detalhes e uma imersão entre roteiro e jogabilidade são responsáveis por BioShock ser o nosso jogo de 2007

BioShock é artístico. Seja na expressão de agradecimento de uma “Little Sister” quando você escolhe salvá-la, ou o silêncio total caso você opte pelo outro caminho. É artístico na forma como os personagens se desenvolvem, nos depoimentos das gravações que você escuta ao longo do caminho. É assim que a narrativa está estruturada e a forma como ela se mistura tão perfeitamente com a ação. Os desenvolvedores não apenas entregaram algo que é divertido de jogar, um critério tão freqüentemente citado como o ponto de referência do que faz um jogo valer a pena. O BioShock é um exemplo da convergência entre jogabilidade divertida e um enredo irresistivelmente sinistro e envolvente que abrange uma série de personagens multifacetados.

BioShock é uma experiência de jogo essencial, nosso jogo de 2007.


Transparência: Esse conteúdo é patrocinado pela Ovni Game Shop.


Assista abaixo um gameplay de BioShock